Aos 5 anos
Eu ouvia as pessoas
pronunciarem
meu nome
esse nome
Por que
elas
me
chamavam
daquele nome
com aquele som?
Eu pensava nisso o tempo todo
no recreio
Um dia, a tia bordou
aquele nome que as pessoas me chamavam
numa bolsa
E eu li o nome bordado
Diziam que era o meu nome
E, por isso, a bolsa me pertencia
O nome era meu
E eu deveria respeitá-lo
Não é rude que tenhamos o mesmo nome por toda existência?
Quer dizer,
tem dia
que
não
tenho cara desse nome
Há dias que me chamar de Dor seria apropriado
E eu me contentaria em ser chamada pelo nome certo
Nada de perder tempo pensando, no recreio, por que diabos me chamam de outro nome?
Eu estaria brincando com as outras crianças
E não pensando, pensando
Pensar fodeu o meu recreio
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